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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

009 - biologia da crença - bruce lipton P3

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Expliquei também que cada célula é um ser inteligente e que sobrevive por conta própria, algo que os cientistas já demonstraram retirando células individuais do corpo para mantê-las em cultura separada. Assim como eu havia descoberto intuitivamente durante minha infância, essas células inteligentes têm vontade própria e um propósito de vida. Procuram ambientes que sejam adequados à sua sobrevivência e evitam todos os que possam ser tóxicos e/ou hostis. Da mesma maneira que nós, humanos, fazemos, analisamos as centenas de estímulos que recebemos do microambiente que habitamos para selecionar as respostas comportamentais mais adequadas e garantir nossa sobrevivência. 

As células também são capazes de aprender com as experiências que vivenciam em seu ambiente e de criar uma espécie de memória que é passada aos seus descendentes. Por exemplo: quando o vírus do sarampo infecta uma criança, suas células ainda não amadurecidas são colocadas em ação para criar um anticorpo de proteína protetor e combatê-lo. Nesse processo, as células criam um novo gene que servirá de padrão para a fabricação de anticorpos contra o sarampo. 

O primeiro passo para gerar um gene de anticorpos ocorre no núcleo das células imunológicas imaturas. Em seus próprios genes há um grande número de segmentos de DNA que contêm códigos de fragmentos moldados de proteínas. Recombinando e montando aleatoriamente esses segmentos, as células imunes criam uma vasta gama de genes que formam uma proteína única de anticorpos. Então, quando uma célula imune imatura produz uma proteína de anticorpos que seja um complemento físico "semelhante" ao do vírus do sarampo, aquela célula é ativada. 

Células ativadas utilizam um mecanismo muito interessante chamado "maturação de afinidade", que lhes permite "ajustar" de maneira muito precisa o formato de sua proteína de anticorpos, para que ela seja um complemento perfeito para vírus como o do sarampo (Li et al., 2003; Adams et al., 2003). Por meio de um processo chamado "hipermutação somática", as células imunes ativadas fabricam centenas de cópias de seu gene de anticorpo. Mas cada nova versão do gene é levemente modificada e contém um formato diferente da proteína de anticorpo. A célula seleciona a variante de genes que melhor se adapta àquela necessidade de anticorpos. Essa versão selecionada do gene também passa por vários ciclos de hipermutação somática para que a forma do anticorpo seja esculpida a ponto de se tornar o complemento físico "perfeito" do vírus (Wu et al., 2003; Blanden e Steele, 1998; Diza e Casali, 2002; Gearhart, 2002). 

Quando o anticorpo esculpido se une ao vírus, desabilita-o e o marca para ser destruído, protegendo a criança do sarampo. As células criam então um "arquivo" das informações genéticas desse anticorpo para que todas as vezes que o organismo for invadido pelo vírus do sarampo elas possam responder imediatamente. O novo gene de anticorpos também pode ser passado a todas as novas gerações em seu processo de divisão. Assim, elas não apenas "aprendem" sobre o vírus do sarampo como criam um "arquivo" a ser herdado e propagado entre a sua prole. Este magnífico processo de engenharia genética é de extrema importância, pois representa um mecanismo de "inteligência" inata que permite às células se desenvolver (Steele et al., 1998).

Biologia da Crença. Bruce H. Lipton.

Assim sendo, o corpo é capaz de revidar qualquer ataque biológico ao corpo usando a mesma tática do vírus ou bactéria invasores. Contudo, o fator meio interfere na resposta “automática” do nosso sistema imunológico. Com o tempo passamos a acreditar que o nosso organismo não é eficiente, que o combate aos agentes invasores tóxicos só será superado com a intercedência de medicamentos e cirurgias. O nosso corpo é constituído de células capazes de enfrentar elementos estranhos. Pois muitos deles constituem parte integrante do nosso organismo, seres simbióticos que cooperam conosco.
O nosso organismo é naturalmente autorregulador, não há a necessidade de repor elementos químicos para que o corpo não seja dizimado por microorganismos nocivos. O papel autorregulador do corpo humano é melhor explicado pelo Dr. Eric Pearl no livro Reconexão, onde ele demonstra que estas ações de regulação são perturbadas por interferências, sobretudo comportamentais, nestas ações que são intrínsecas dos organismos. Que o corpo é sempre saudável, ou seja, as nossas atitudes contra destroem esta harmonia natural. Dr. Lipton diz que o sistema imunológico é perfeito e que a sua degradação se deve ao “uso indiscriminado e inconsciente do sistema endócrino” que suprime o imunológico. O sistema endócrino é acionado em momento de terror, medo e estresse para que o ser possa se proteger do perigo, por ser um sistema de proteção ele tende a suprimir a ação dos demais sistemas para que o corpo aumente as probabilidades de defesa e luta pela sobrevivência, inclusive o sistema imunológico é abolido. Como vivemos em constante estresse, ativamos mais o sistema endócrino, mesmo que as ações que sejam menos drásticas do que ser atacado por uma fera, enfrentar os problemas cotidianos geram mais estresse e em períodos mais longos.

"Um campo é a condição à qual um sistema vivo deve a sua organização típica e as suas atividades específicas. Estas atividades são específicas no sentido em que deter­minam o caráter das formações a que dão origem.”

São os mesmos campos que permitem que os nossos corpos, constituídos de mais de 10 trilhões de células próprias e que abriga outros quase 50 ou mais trilhões de microrganismos de até 100 mil espécies diferentes, possam manter a coesão estrutural. São os campos que transmitem informações entre todos os seres vivos de modo que partilhamos de uma mente inconsciente coletiva.

Há 150 anos Darwin chegou à conclusão de que os organismos vivem em uma perpétua "luta pela sobrevivência". Para ele, luta e violência são partes naturais da natureza animal (humana) e também a "força básica" do desenvolvimento evolucionário. No capítulo final de A origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida, Darwin descreve aquilo que chama de "inevitável luta pela sobrevivência" e enfatiza que a evolução se dá pela "guerra da natureza, da escassez à morte". Portanto, a partir dessa teoria, a evolução se dá de maneira aleatória e temos um mundo cheio de pequenas batalhas sangrentas e sem sentido em nome da sobrevivência ou, segundo a descrição poética de Tennyson, "nas mandíbulas da morte".

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Lamarck não apenas apresentou sua teoria 50 anos antes de Darwin, como ofereceu uma explicação menos drástica para os mecanismos da evolução. Sua teoria diz que a evolução está baseada em uma interação cooperativa entre os organismos e seu meio ambiente, que lhes permite sobreviver e evoluir em um mundo dinâmico. Afirmava que os organismos passam por adaptações necessárias à sua sobrevivência em um ambiente que se modifica constantemente. O mais interessante é que a hipótese de Lamarck sobre os mecanismos da evolução se ajusta muito bem à explicação dos biólogos modernos sobre como o sistema imunológico se adapta ao meio ambiente da mesma maneira que descrevi antes. 

A teoria de Lamarck foi duramente criticada pela Igreja. O conceito de que os seres humanos evoluíram a partir de formas de vida mais primitivas foi considerado heresia. Lamarck também não recebeu o apoio de seus colegas cientistas. Como eram todos criacionistas, ridicularizaram suas ideias.

Um motivo para os cientistas reverem a teoria de Lamarck é que os evolucionistas levam em consideração a grande importância da cooperação na manutenção da vida na biosfera. Inúmeras experiências científicas já mostraram as relações simbióticas da natureza.

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"Os biólogos estão descobrindo cada vez mais associações entre animais que evoluíram paralelamente e continuam a coexistir, desenvolvendo em seu interior microorganismos que são necessários para a sua saúde e desenvolvimento". Isso é descrito em um artigo recente da Science, chamado "Sobrevivemos com a ajuda de nossos (pequenos) amigos" (Ruby et al., 2004). O estudo desses relacionamentos é um ramo da ciência que hoje está se expandindo rapidamente, chamado "Biologia de sistemas".

O mais engraçado é que nas últimas décadas aprendemos a combater os microorganismos usando os mais diferentes produtos químicos, de sabão antibacteriano a antibióticos. Mas essa prática simplista ignora o fato de que diversas bactérias são essenciais para a nossa saúde. Um exemplo clássico de como os seres humanos se beneficiam dos microorganismos é o das bactérias presentes em nosso sistema digestivo, essenciais para a nossa sobrevivência. Agindo em nosso estômago e trato intestinal, elas ajudam a digerir os alimentos e permitem a absorção das vitaminas que mantêm nossa saúde. Esta cooperação entre micróbios e humanos é o motivo pelo qual o uso desenfreado de antibióticos pode comprometer a sobrevivência de nossa espécie. Esses medicamentos eliminam microorganismos nocivos ao nosso organismo, mas também matam indiscriminadamente aqueles que são essenciais para a nossa saúde.
Estudos recentes da ciência do genoma revelam mais um tipo de mecanismo de cooperação entre as espécies. Alguns organismos parecem integrar suas comunidades celulares partilhando seus genes.

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Henry Ford analisou as vantagens técnicas do esforço conjunto e as utilizou para criar o conceito de linha de montagem para a fabricação de carros. Antes de Ford, uma equipe de funcionários levava de uma a duas semanas para produzir um único automóvel. Ele organizou sua fábrica de modo que cada funcionário fosse responsável por uma tarefa específica. Posicionou todos em fila na esteira de produção e foi passando as peças de um especialista para o outro. O conceito de especialização de tarefas se mostrou tão eficaz que a indústria de Ford conseguia produzir um automóvel em apenas 90 minutos. 

Mas, infelizmente, "nos esquecemos" desse conceito de cooperação, tão necessário para a evolução, quando Charles Darwin propôs uma teoria radicalmente diferente sobre o surgimento da vida.

Extraído de 067MH1 e 068MH1 

Biologia da Crença, Dr. Bruce Lipton

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